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Os repórteres
do Jornal Nacional percorreram, de balsa e pelas marginais, um
trecho longo do Rio Tietê, que corta São Paulo e voltou a causar
enchentes.
Num dos portos do Rio Tietê, dentro de São Paulo, de onde é
possível embarcar para navegar no rio, há uma barcaça. Ela
transporta o entulho que é coletado no fundo do rio.
Para vocês terem uma ideia da sujeira hoje acumulada no Rio
Tietê, num trecho de 40 quilômetros entre São Paulo e Santana do
Parnaiba, que fica na Grande São Paulo, o rio tem hoje dois
milhões de metros cúbicos acumulados. Seria o mesmo que 15 mil
barcaças cheias de entulho.
A sujeira se acumula no fundo e diminui a calha, o espaço por
onde a água passa. Há décadas, máquinas limpam o leito do Tietê.
Quer dizer, tentam limpar.
O repórter José Roberto Burnier comenta: a impressão que dá é
que vocês tiram, tiram, tiram, mas a chuva traz muito mais do
que vocês tiram...
“Eu até entendo essa impressão, mas, na realidade, a gente tem
que olhar no conjunto das ações que nos tomamos. É um trabalho
continuo, para que a gente consiga diminuir a frequencia e
intensidade das inundações”, declara Ricardo Borsari,
superintendente do Departamento de Águas e Energia.
Um esforço que também se vê do lado de fora. Nessa época de
chuvas, são pelo menos duas turmas de 70 homens.
As equipes de limpeza percorreram três quilômetros e, em um
único dia, retiraram cinco caminhões cheios de sujeita, entulho,
lixo, e principalmente terra, lama que fica por causa da chuva.
Só nesta segunda-feira (24) foram 35 toneladas.
“O povo não tem zelo com as coisas. A gente limpa hoje, amanhã
eles sujam de novo. Falta de educação”, reclama o encarregado
Joaquim Soares.
Não basta limpar o asfalto. É preciso deixar livres todas as
saídas. A repórter Veruska Donato pergunta: Se ficar essa terra,
o que acontece?
“Aí, enche de água aqui, a água não desce. Aí entope o lixo
aqui, não tem como descer a água”, explica o ajudante de limpeza
Francisco Sales.
Em condições normais, o Tietê já recebe muita água. Só na
capital, 70 rios e córregos deságuam lá.
Em um trecho dentro da cidade de São Paulo, o Rio Tietê tem, nas
duas margens, cerca de 700 pontos de drenagem. A água da chuva,
que deve estar trazendo a chuva de alguma região de São Paulo,
desemboca no Rio Tietê.
E é assim que o rio enche. Chove em várias regiões, alguns
pontos vão levando para o rio, enche o leito rio e, onde a pista
é mais baixa, acaba provocando enchentes.
Para jogar menos água no Tietê, a alternativa são os piscinões.
Só que o projeto, lançado em 98, previa a construção de 145
piscinões. Até hoje, foram construídos só 34.
“Em termos de volume, é 70% do que tinha previsto. É um volume
expressivo. Existem
dificuldades,existem. Áreas para fazer os piscinões, conseguir
esses locais. Não é fácil achar”, explica um homem.
Encarar o Tietê do outro lado também não é fácil, principalmente
quando o rio e o asfalto viram uma coisa só.
“Muito medo, porque ela sobe de vez, a água. É uma coisa de
segundos”, revela o caminhoneiro Marco Antonio da Cruz.
“Faz tempo que eu vejo encher, matando gente. Então, eu acho que
não tem mais solução”, afirma uma mulher.
Solução tem , mas não é fácil e custa caro. Novos piscinões e
limpeza permanente do Tietê e seus afluentes. Se a cidade
cresceu de forma desordenada e ocupou a área de escape do rio, a
culpa não é do Tietê. Agora, só nos resta limpar e parar de
sujar.
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